DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES RESIDENTES NO RURAL EM DIFERENTES OCUPAÇÕES

Filipe Mello Dorneles, Caroline Ferreira Mainardi, Tatielle Belem Langbecker

Resumo


As mulheres inseridas no espaço rural, destacando a divisão sexual do trabalho, cotidianamente vivenciam situações de invisibilidade de seu trabalho, pois suas atividades são percebidas apenas como extensão de suas obrigações sendo assim consideradas como ajuda mesmo em momentos em que suas ações se igualam às praticadas pelos demais membros da família. Essa distinção também é suposta a partir da identificação do trabalho leve e do trabalho pesado, os quais respectivamente comporiam as trajetórias feminina e masculina, se fazendo essas contrariedades essenciais nas construções culturais e, utilizando como caráter homogeneizador, a posição masculina ocupada dentro da hierarquia familiar como definidora do poder (BRUMER, 2004). Nesse sentido, o cenário profissional em que a mulher rural se insere identifica uma tomada de poder, já que atualmente permeia os diferentes espaços profissionais auxiliando na desconstrução de ideias que embasam a mulher como agente submisso a uma conduta preestabelecida. A partir disto o objetivo deste estudo é apresentar a distribuição percentual da posição de ocupação de mulheres residentes no rural. Esta pesquisa utilizou-se de dados disponibilizados em uma publicação do Instituto de Pesquisa Econômica publicado em 2011 intitulado de Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, no qual seus indicadores foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. Em relação às posições ocupadas pelas mulheres residentes no meio rural no Brasil, a esfera que abrange o funcionalismo público e militar cresceu 33,33% entre os anos de 1999 e 2009, assim como, os empregos com carteira assinada ascenderam em 33,82% no mesmo período, de 6,8% para 9,1%. Em contrapartida, os percentuais correspondentes aos empregos sem carteira assinada também evoluíram, assim como, ocupações em ambiente doméstico. A posição da mulher como empregadora se manteve em aproximadamente 0,8% do total de mulheres ocupadas e residentes no meio rural, assim como houve uma constância no que tange às ocupações que se dirigem aos trabalhos por conta própria. O que causa maior instigação são os chamados outros (51,2% em 2009), ou seja, trabalhadores na produção para o próprio consumo, na construção para o próprio uso e trabalhadores não remunerados (IPEA, 2011). Essa definição contribui para a invisibilidade da mulher ocupada no meio rural, pois está relacionada aos tradicionais trabalhos desempenhados por elas, isto é para consumo próprio e da família caracterizando-se como não remunerados. Apesar disto o percentual reduziu timidamente (6% entre 1999 e 2009), remetendo à conversão em algumas das demais categorias, já que não há a alternativa de agricultora ou trabalhadora rural. Assim, a ocupação das mulheres rurais nomeada como outros, mostra um mecanismo de prejulgar a atividade feminina como menos importante. Contudo, a percepção de que isto pode ser modificado leva as mulheres a buscarem condições que contribuam para a melhoria de sua situação socioeconômica. Conclui-se que com o reconhecimento das trabalhadoras rurais, a realidade aos poucos vai sendo contornada com a participação das mulheres como agentes públicos e desta forma conduz-se a criação de políticas e programas que auxiliem na promoção socioeconômica feminina modificando o entendimento de submissão das mulheres.

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