ATIVIDADE ANTIBACTERIANA IN VITRO FRENTE À ATORVASTATINA E SINVASTATINA

Roberta Filipini Rampelotto, Rosmari Horner, Silvana Coelho, Vinicius Victor Lorenzoni, Danielly da Costa Silva, Marissa Bolson Serafin

Resumo


A resistência antimicrobiana constitui um sério problema de saúde pública em todo o mundo. Pató-genos resistentes aos antimicrobianos são uma preocupação crescente, restringindo as opções de trata-mento. Desta forma, a busca por novos fármacos para o tratamento das infecções deve ser investigada, como por exemplo, a associação de fármacos com antimicrobianos na busca de efeitos sinérgicos. Uma classe de fármacos que tem demostrado uma atividade bacteriana promissora frente a diversas espécies bacterianas são as estatinas, as quais são utilizadas para a redução de lipídios em pacientes com elevados os níveis de colesterol. Entre as diferentes estatinas, destacam-se a atorvastatina, a forma sintética do produto, e a sinvastatina, a forma semissintética. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antibacteriana in vitro de cepas American type culture collection (ATCC) e isolados clínicos frente a atorvastatina e sinvastatina. A atividade antibacteriana das estatinas foi avaliada frente a diferentes cepas ATCC, incluindo Bacillus cereus ATCC 14579, Enterobacter hormaechei ATCC 700323, Enterococcus casseliflavus ATCC 700327, Enterococcus faecalis ATCC 29212, Enterococcus faecalis ATCC 51299, Escherichia coli ATCC 25922, Escherichia coli ATCC 35218, Klebsiella pneumoniae ATCC 700603, Micrococcus luteus ATCC 7468, Pseudomonas aeruginosa ATCC 27853, Salmonella typhimurium ATCC 14028, Salmonella spp. ATCC 52117, Staphylococcus aureus ATCC 25923, Staphylococcus aureus ATCC 29213, Staphylococcus aureus BAA 1026, Staphylococcus aureus BAA 976, Staphylococcus aureus BAA 977, Staphylococcus epidermidis ATCC 12228 e frente a dez cepas de Staphylococcus coagulase negativos isolados de hemoculturas de pacientes admitidos no Hospital Universitário de Santa Maria no ano de 2014, identificadas através do sistema automatizado Vitek® 2. As amostras que estavam armazenadas em glicerol 15% foram repicadas em placas contendo Trypticase-soy agar (TSA) e foram incubadas em estufa bacteriológica a 35 ± 2°C por 24 horas (h). Após, os testes para avaliar a concentração inibitória mínima (CIM) foram determinados de acordo com o Clinical and Laboratory Standards Institute. As estatinas foram diluídas em etanol na concentração 20.480 μg/ml e após foram realizadas sucessivas diluições nas concentrações de 1.024 μg/mL a 1 μg/mL. As placas contendo os microrganismos e o composto foram incubadas a 35 ± 2 °C por 24 h. A CIM foi determinada visualmente, como a menor concentração que inibiu completamente o crescimento dos microrganismos nos poços de diluição. Cada ensaio foi realizado em duplicata. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o registro 38850614.4.0000.5346. Pode-se observar que frente a atorvastatina as CIM variaram entre 512 a 128μg/ml. Já a sinvastatina apresentou melhor potencial antibacteriano, sendo que todos os microrganismos testados apresentaram CIM ≤ 256μg/ml, destacando-se o E. faecalis ATCC 29212, 2 isolados clínicos de S. epidermidis e 1 de S. hominis (CIM = 64 μg/ml); M. luteus ATCC 7468, S. aureus BAA 977 e 1 isolado clinico de S. hominis (CIM = 32 μg/ml); e S. aureus BAA 976 (CIM = 16 μg/ml). Assim, conclui-se que as estatinas apresentaram uma promissora atividade bacteriana frente às cepas testadas, sendo que a sinvastatina demonstrou-se mais eficaz quando comparada a atorvastatina.

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