FUNÇÃO MOTORA GROSSA DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL UNILATERAL

Luise Ferreira de Queiroz, Claudia Morais Trevisan

Resumo


Introdução: Os déficits apresentados por crianças com Paralisia Cerebral provocam atraso no desenvolvimento motor, bem como alterações no desempenho de atividades cotidianas. A mensuração e avaliação desses comprometimentos é de suma importância na prática clínica e no processo de construção do plano terapêutico. A Medida da Função Motora Grossa (GMFM) é um instrumento amplamente utilizado com essa população e tem o objetivo de quantificar a função motora e as mudanças nas atividades funcionais. O GMFM é constituído por cinco dimensões que avaliam a criança nas posições deitado e rolando (Dimensão A), sentado (Dimensão B), engatinhando e ajoelhado (Dimensão C), em pé (Dimensão D) e, andando, correndo e pulando (Dimensão E). Assim, o estudo tem o objetivo de avaliar a função motora grossa de crianças com Paralisia Cerebral do tipo unilateral. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da referida instituição de ensino, CAAE 12862713.7.0000.5346, sob parecer número 1.525.568. Participaram do estudo seis crianças com diagnóstico de PC unilateral com nível I ou II no Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS) com idades entre 7 anos e 11 anos. Foi utilizado como instrumento a Medida de Função Motora Grossa (GMFM). Os responsáveis pelas crianças assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados e Discussão: Os resultados mostram que as Dimensões A e B do GMFM tiveram 100% de pontuação para todos os sujeitos do estudo, já a Dimensão C não atingiu 100% de pontuação para apenas um sujeito, de modo que este atingiu pontuação de 83,33%. Na dimensão D, apenas um sujeito alcançou 100% de pontuação, e os demais variaram de 84,61% a 94,87%. Por fim, na Dimensão E, as pontuações variaram de 90,27% a 98,61%. Dessa forma, podemos observar que as dimensões relacionadas às posições em pé, andando, correndo e pulando foram as mais comprometidas nos sujeitos do estudo. Com estes resultados, observados a partir da avaliação com o GMFM é possível direcionar o tratamento clínico para as áreas mais deficitárias, elaborando um plano de tratamento que tenha o foco na reabilitação dessas atividades, de forma que as contemple em atividades funcionais do dia-a-dia. Conclusão: O GMFM é um instrumento bem empregado para a avaliação da função motora de crianças com Paralisia Cerebral e pode contribuir significativamente na reabilitação clínica para avaliações, definição de tratamentos e reavaliações. Nesta pesquisa, os sujeitos apresentaram maiores déficits nas Dimensões D e E, sugerindo uma proposta de intervenção com foco nas habilidades de locomoção.

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