ESTUDO DA TOXICOLOGIA DO COBRE NAS MINAS DO CAMAQUÃ

Karen Veber de Melo, Caroline Wagner

Resumo


Na região de Minas do Camaquã, município de Caçapava do Sul, por mais de um
século houve a extração de minério de cobre, em vários ciclos intermitentes de
exploração do minério cuprífero. Esta atividade de mineração deixou áreas de
passivos ambientais, além de que, boa parte dos efluentes e rejeitos da atividade
mineira foram lançados diretamente nos arroios da região. Os resíduos e rejeitos
liberados no meio ambiente, através da atividade mineradora de cobre, causaram
muitos impactos, os quais ainda são percebidos atualmente. Sabe-se que o cobre
em excesso é tóxico para a saúde, causando, por exemplo, problemas no fígado e
no sistema urinário. A intoxicação aguda por cobre provoca erosão do epitélio
gastrintestinal associado à necrose centrilobular do fígado e necrose tubular dos rins (BARCELOUX,1999; WHO,1998 apud PEDROZO 2001). Desta forma o objetivo
deste trabalho é verificar a toxidade do cobre presente nos rejeitos de mineração
através da incidência de doenças na região das Minas do Camaquã. Para análise de
risco a saúde humana, foi realizada uma pesquisa qualitativa e quantitativa através
de um questionário aplicado com a população local, sobre as doenças
desenvolvidas pelos habitantes que possam estar relacionadas à mineração de
cobre. Além disso, foi feito um levantamento de dados no posto de saúde local,
sobre possíveis casos de intoxicação da população local por cobre e averiguando
assim, a incidência de doenças na região das Minas do Camaquã. Realizou-se
pesquisa nas fichas do posto de saúde observando os motivos do atendimento, o
ano, a idade e o sexo do paciente. Foi observada, uma maior incidência de
hipertensão, vômito, dor abdominal, dor na coluna, infecção de garganta e
problemas no sistema urinário, entre os anos de 1996 a 2011. Em entrevista com o
enfermeiro e a agente de saúde local, foi relatado que atualmente, existem casos de
hipertensão, diabete, depressão e colesterol na comunidade local. O levantamento
de dados ainda está em andamento, e os questionários estão sendo aplicados
online para moradores e ex-moradores das Minas do Camaquã. Com este trabalho
pretende-se averiguar se existe relação da mineração e seus resíduos deixados no
ambiente com as doenças da população.

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