AÇÃO NEUROPROTETORA DE ANACARDIUM MICROCARPUM NO MODELO DE 6-HIDROXIDOPAMINA EM FATIAS CORTICAIS

Illana Kemmerich Martins, Thais Posser, Valter Menezes Barbosa Filho, Irwin Rose Alencar de Menezes, Jeferson Luis Franco, Lucia Helena do Canto Vinadé

Resumo


O Brasil é o país com a maior diversidade vegetal do mundo abrigando aproximadamente 22% da biodiversidade vegetal do planeta, em grande parte concentrada na floresta Amazônica e no que resta da Mata Atlântica, somando mais de 55 mil espécies. Plantas e seus derivados têm sido usados para o tratamento de várias doenças. Estima-se que até 80% da população de países em desenvolvimento se utiliza da medicina tradicional para o tratamento de enfermidades, ressaltando a relevância desta prática para comunidades com baixo poder aquisitivo. O gênero Anacardium é representado por 11 espécies, onde Anacardium occidentale (caju) é o mais conhecido pelo seu valor nutricional e comercial. A planta Anacardium microcarpum Ducke (pop. Cajuizeiro) é encontrada principalmente no Bioma Cerrado brasileiro. Na medicina popular, devido ao seu potencial antioxidante, as cascas da planta são utilizadas para o tratamento de inflamações, reumatismo, tumor e doenças infecciosas. É válido mencionar que plantas representam uma importante fonte de produtos biologicamente ativos e têm sido alvo em pesquisas relacionadas com patogenias de várias doenças, incluindo as neurodegenerativas. As doenças neurodegenerativas compreendem uma condição onde as diminuições de células nervosas levam a uma perda funcional ou disfunção sensorial. Este processo está relacionado, em parte, com alta produção de radicais livres levando ao dano oxidativo de biomoléculas. A doença de Parkinson (DP) á a segunda desordem neurodegenerativa mais comum que pode se desenvolver com o aumento da idade afetando cerca de 1% da população acima de 60 anos de idade. Neurotoxinas seletivas têm sido de grande importância para o estudo do parkinsonismo experimental em animais de laboratório dentre estas a 6-hidroxidopamina (6-OHDA). Este estudo teve como objetivo avaliar a ação neuroprotetora do extrato hidroalcoólico da casca do caule de A. microcarpum (AMHE), e suas frações: metanólica (AMMF) e acetato de etila (AMAF) contra o dano oxidativo causado pela neurotoxina 6-OHDA em fatias corticais de Gallu gallus. Para este estudo, foram utilizadas fatias corticais de pintainhos (5-15 dias) (CEUA/UNIPAMPA #011/2012) incubadas durante 2 horas em tampão HEPES-salina oxigenado na presença / ausência de 6-OHDA (500 µM) e planta (1-100 μg/mL). Após os tratamentos, viabilidade celular (teste por MTT) e peroxidação lipídica (teste de TBARS) foram avaliadas. Somente AMMF e AMAF (ambos em 100 µg/mL) protegeram contra a diminuição da viabilidade celular causada pela 6-OHDA. Somente o AMMF foi capaz de reverter a peroxidação lipídica induzida pelo 6-OHDA na concentração de 100 µg/mL. A planta não apresentou toxicidade per se. Pode-se concluir que AMMF apresenta melhor potencial protetor contra 6-OHDA, chamando atenção para constituinte fitoquímicos presentes nesta fração.

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