AVALIAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE EUGENIA UNIFLORA NO FUNCIONAMENTO BIOENERGÉTICO MITOCONDRIAL EM DROSOPHILA MELANOGASTER

Dennis Costa, Nelson Rodrigues de Carvalho, Jeferson Luis Franco, Giulianna Echeverria Macedo, Nathane Rosa Rodrigues, Thaís Posser

Resumo


Avaliação Do Oléo Essencial de Eugenia uniflora No Funcionamento Bioenergético Mitocondrial em Drosophila melanogaster

Tema: O Controle de pragas é um processo essencial para a agricultura. Assim, para se obter um rendimento ótimo nas plantações, o controle da proliferação de insetos é fundamental. Atualmente, as principais formas de controle são baseadas na utilização de inseticidas. Entretanto, estes agentes podem ser altamente tóxicos ao meio ambiente. A busca por compostos alternativos que apresentem efeito inseticida e menor toxicidade ambiental é de fundamental importância. Estudos recentes de nosso grupo apontam o óleo essencial da planta Eugenia uniflora como um promissor inseticida natural, encorajando estudos no sentido do entendimento dos mecanismos de ação deste composto. Previamente, demonstramos a capacidade do óleo essencial desta planta em induzir estresse oxidativo em insetos modelo. Contudo, não há evidências na literatura demonstrando os efeitos deste óleo sobre a função mitocondrial. Uma vez que a principal forma de intoxicação do óleo essencial é via respiratória, e a mitocôndria é a principal central bioenergética da célula, qualquer alteração no seu funcionamento pode levar ao comprometimento das funções celulares e morte do organismos. Objetivos: O objetivo deste trabalho é avaliar os efeitos do óleo essencial de E. uniflora na função bioenergética mitocondrial através da Respirometria de Alta Resolução em mitocôndrias isoladas de mosca-da-fruta Drosophila melanogaster. Metodologia: O protocolo experimental consiste em expor 50 moscas, via fumigação em frascos de vidro (330 cm3) à concentrações de 3, 15 e 30 µg/ml durante 12 horas, após este período foi realizado isolamento mitocondrial das amostras de D. melanogaster através da centrifugação diferencial e dosagem de proteína. O protocolo de respirometria de alta resolução foi realizado em oxímetro O2K Oroboros em um volume final de 2 ml, utilizando tampão apropriado e temperatura controlada (24oC). A análise estatística foi realizada através de análise de variância (ANOVA) de uma via, seguida por teste de Newman-Keauls, sendo a significância assumida como p < 0.05. Resultados: Após 12 horas de exposição ao óleo essencial de E. uniflora as concentrações de 15 e 30 µg/ml reduziram a viabilidade mitocondrial através dos dados de razão do controle respiratório, resultando em significativo comprometimento da respiração mitocondrial basal induzida por substratos do complexo I. Quando avaliado a capacidade da fosforilação oxidativa utilizando substratos do complexo I e a via convergente com substrato do complexo I e II houve uma significativa redução da capacidade do sistema de fosforilação oxidativa quando estimulada por ADP, nas mesmas concentrações. Quando avaliado a capacidade máxima do sistema de transporte de elétrons na respiração mitocondrial estimulada por desacoplador também observou-se uma inibição causada pelas concentrações de 15 e 30 µg/ml do óleo essencial. A concentração de 3 µg/ml não apresentou alterações em qualquer um dos parâmetros avaliados. Conclusão: O óleo essencial de E. uniflora demostrou um significativo comprometimento bioenergético mitocondrial, resultando na inibição da fosforilação oxidativa, o que sugere ser um importante mecanismo de ação tóxica relacionado ao efeito inseticida do óleo essencial de E. uniflora em Drosophila melanogaster.

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