HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA EM CANINO PEDIÁTRICO: PARTICULARIDADES ANESTÉSICAS

Ana Paula Ibarra dos Santos, Marília Teresa de Oliveira, Thaline Segatto, Bibiana Welter Pereira, Rochelle Gorczak, Debora Beatriz Alves Freitas

Resumo


O deslocamento das vísceras abdominais para a cavidade torácica ocasionado por um defeito na musculatura do diafragma é denominado hérnia diafragmática, causada frequentemente por trauma decorrente de acidente automobilístico. Como consequência desse trauma pode ocorrer pneumotórax, caracterizado pelo acúmulo de ar entre os pulmões e a parede torácica, podendo levar desde dispneia discreta até ao óbito do animal. A correção cirúrgica é o procedimento de eleição para o tratamento dessa afecção, no entanto, o comprometimento cardiorrespiratório torna o procedimento anestésico desafiador. O presente relato tem por objetivo descrever a anestesia realizada em um canino pediátrico submetido à herniorrafia diafragmática. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da UNIPAMPA, um canino, macho, sem raça definida, com três meses de idade e histórico de atropelamento há um dia. Ao exame físico verificou-se taquipneia (52 mpm), temperatura retal de 39,3°C, estando os demais parâmetros dentro da normalidade para a espécie. Os exames complementares de imagem confirmaram o diagnóstico de hérnia diafragmática e eventração abdominal. O paciente foi submetido a herniorrafia diafragmática. Para tanto, recebeu meperidina (1 mg/kg) via intramuscular, como medicação pré-anestésica e posterior realização de oxigenoterapia por cinco minutos. Ato contínuo, procedeu-se a indução anestésica, obtida a partir da administração de propofol (2 mg/kg) e cetamina (1 mg/kg), pela via intravenosa (IV), permitindo a intubação endotraqueal e instituição de anestesia inalatória com isofluorano em O2 a 100%. Nesse momento, também foi administrado dipirona (25 mg/kg, IV), fentanil (1µg/kg, IV) e cefalotina (30 mg/kg, IV). Durante todo o procedimento anestésico o paciente foi mantido em respiração controlada de forma manual, com frequência respiratória ajustada para manutenção dos valores de ETCO2 entre 35-45 mmHg. No transoperatório foram monitorados parâmetros, como a glicemia, oximetria de pulso, capnografia, pressão arterial pelo método não invasivo, frequência cardíaca e respiratória. Durante o procedimento o cão recebeu fluidoterapia com solução de glicose 5% na velocidade de 5ml/kg/h (IV), por se tratar de um paciente pediátrico, minimizando dessa forma os riscos relacionados a hipoglicemia, comum nessa faixa etária. O procedimento durou quatro horas e apesar do suporte ventilatório instituído, o animal apresentou respiração agônica durante alguns minutos, tendo cessado logo após a correção do defeito herniário. Apesar do grave e momentâneo comprometimento respiratório que o paciente teve no transoperatório, apresentou rápida recuperação anestésica e desprovida de excitação. Para analgesia pós-operatória foi administrado tramadol (3 mg/kg), via subcutânea (SC), três vezes ao dia, meloxicam (0,2 mg/kg, seguindo nos próximos quatro dias a dose de 0,1 mg/kg), SC, uma vez ao dia, além da administração de bupivacaína intrapleural via dreno torácico, duas vezes ao dia por três dias. Conclui-se que obteve-se sucesso no manejo anestésico do paciente relatado em função dos cuidados pré-operatórios estabelecidos, do monitoramento perianestésico criterioso e do adequado suporte analgésico empregado.

Apontamentos

  • Não há apontamentos.