BLOQUEIO DO PLEXO BRAQUIAL COM AUXÍLIO DE ESTIMULADOR DE NERVOS PERIFÉRICOS RELATO DE CASO

Thaline Segatto, Marília Teresa de Oliveira, Debora Beatriz Alves Freitas, Ana Paula Ibarra dos Santos, Rochelle Gorczak, Bibiana Welter Pereira

Resumo


A anestesia loco-regional do membro torácico é definida como a técnica de anestesia responsável pela interrupção da condução nervosa na altura de troncos nervosos específicos desta região. O bloqueio do plexo braquial permite intervenções cirúrgicas no membro torácico distais à articulação escápulo-umeral. A eficiência dos bloqueios regionais é diretamente proporcional à deposição da solução anestésica o mais próximo do elemento que se pretende bloquear, portanto, o reconhecimento anatômico e a técnica escolhida são fundamentais para realização bem sucedida da anestesia regional. Além disso, a redução do requerimento dos demais fármacos utilizados para anestesia, promoção da analgesia preemptiva, diminuição dos efeitos depressores da anestesia geral e a maior estabilidade cardiovascular são exemplos de vantagens com o uso da anestesia loco-regional. O presente relato tem por objetivo descrever o bloqueio do plexo braquial com auxílio de estimulador de nervos periféricos para osteossíntese de rádio em um canino. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da UNIPAMPA, um cão, sem raça definida, com seis meses de idade, pesando 2,5kg, com histórico de trauma em membro torácico direito. Após a confirmação da fratura de rádio, por meio de exame radiográfico, o paciente foi encaminhado para realização de osteossíntese. Como medicação pré-anestésica foi administrada a associação de acepromazina (0,03mg/kg) e morfina (0,5mg/kg), por via intramuscular. A indução anestésica foi obtida a partir da administração de propofol (4mg/kg), por via intravenosa, o que permitiu a intubação endotraqueal e posterior manutenção anestésica por via inalatória, a uma concentração de isofluorano ao final da expiração (ETiso) de 1,4 à 1,8%. Após estabelecimento do plano anestésico moderado, procedeu-se o bloqueio anestésico do plexo braquial. A técnica consistiu na localização da artéria braquial na região axilar e introdução da agulha, acoplada ao estimulador de nervos periféricos, na região do vazio torácico em direção a articulação costocondral da primeira costela. O estimulador de nervos foi regulado com corrente estimuladora de 1,5 mA (2 HZ, 0,1 ms) e o polo positivo conectado a pele do paciente, cerca de 10 cm do ponto de inserção da agulha. Após obtenção de resposta neuromuscular desejada, a corrente estimuladora foi reduzida gradualmente até 0,5 mA, buscando a manutenção da mesma intensidade da resposta muscular. Uma vez obtida a resposta desejada com 0,5 mA, foi confirmada a resposta neuromuscular com 0,2 mA e realizado o teste de aspiração para posterior infiltração do volume de solução anestésica estabelecida (bupivacaína 2mg/kg). O animal foi submetido a monitorização da frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (f), da pressão arterial não invasiva (PANI) por método oscilométrico, oximetria de pulso e capnografia. Tais parâmetros foram obtidos utilizando o monitor multiparamétrico, e se mantiveram dentro dos valores de referência para a espécie durante o procedimento. Não houve incremento nos valores de FC, f, PANI em comparação aos valores basais, não sendo necessária a administração de analgesia suplementar no transoperatório, confirmando a eficácia da técnica utilizada. Assim conclui-se que o uso do estimulador de nervos periféricos facilitou a técnica do bloqueio do plexo braquial, a qual permitiu adequado controle da dor transoperatória.

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